O
dinheiro é a base da sociedade capitalista. Um deus moderno que sacia desejos,
deus que nos dá o poder do TER, e nos tira a essência de podermos SER. Tudo
gira em torno dele e tudo passa por ele. O poder de persuasão que ele causa no
ser humano é impressionantemente devastador, pois sua força corrompe mais e
mais a alma, e propaga a pobre pobreza do ser.
Desde que nascemos, somos criados
e moldados a entender o quão importante é ter o dinheiro em nossas vidas,
portanto, vivemos presos ao cabresto do sistema, que nos diz: “Trabalhe,
dinheiro, trabalhe”. E são essas palavras que são obedecidas sem ao menos
titubearem. Buscam conforto e comodidade com o dinheiro, porém, perdem-se dois
terços da vida apenas trabalhando como um escravo para se sustentar, e
sustentar também, seus “senhores”, conhecidos como patrões ou chefes. E quando é
chegado o momento da aposentadoria, que geralmente usam para descansar e “aproveitarem”
o que resta da vida, olham o que viveram e percebem que ainda é a mesma
pessoa, não pobre, não rica, mas, sem graça, com circunstancias e
características diferentes que mudaram com o tempo, o físico abatido, os
cabelos embranquecidos e uma família. Filhos, ou seja,
crias que sustentarão o sistema moderno de auto-escravismo e que darão
continuidade a todo processo.
Esse deus é maligno, pois, se o
dinheiro fosse a salvação ou a fórmula para a felicidade, não haveria
desigualdade, não haveria pobreza, não haveria desgraças, não haveria fome, não
haveria ignorância. Os males da Terra seriam mínimos ou nenhuns, pois, todo
dinheiro do mundo, se bem distribuídos, preencheria o vazio e o desejo dos mais
pobres, que é o de possuir dignidade. Mas como o ser humano é uma criatura
corrompida, egocêntrica e individualista, poucos têm muito, e muitos têm pouco.
Por que não pode imprimir
determinada quantidade de dinheiro e distribui-lo a quem precisa? Pois
desvalorizaria a moeda, e quem tem muito começaria a perder, e sua alma capitalista
arraigada no dinheiro, trajado no mais fino terno, e no mais belo sapato, começaria a perecer junto a seu império escravista.
Claro, é impossível viver hoje
nesse mundo sem possuir dinheiro, e como tudo está fundamentado nele, não há
como fugir dele por mais que queiramos liberdade. Liberdade na mente e na vida.
Refletindo, percebe-se que tudo está ligado ao dinheiro. Valores morais: se
você tem, você é trabalhador, você é digno e merece respeito. Preconceito: se você é adulto, mas não
trabalho e consequentemente não possui dinheiro, você é vagabundo, preguiçoso, a
ovelha negra, ou ainda, o sem rumo. As pessoas já presas e devotadas ao deus
dinheiro, jugam baseando-se no que você tem, e todo esse julgar ridiculamente
distorcido é graças ao dinheiro.
Logo, a felicidade proporcionada
pelo dinheiro é ilusória, a verdadeira felicidade está no ser, está na mente
livre do véu que o sistema nos cega há séculos. Séculos de tirania.