quarta-feira, 29 de outubro de 2014

La Preguice

Tanta coisa na cabeça, mas a ideia não sai. Talvez seja preguiça, talvez seja o tal do bloqueio.
As ideias engasgam na caneta, nas teclas... a preguiça me abraça e o bloqueio me beija, abusam de mim e me impedem de por uma palavra sequer neste espaço em branco... vazio e solitário.
Careço da escrita, como um drogado carece a droga, como um amante carece o reles beijo, como um apaixonado... como um apaixonado carece os braços ternos de seu amor.
As minhas ideias carecem da não preguiça, mas há horas que as engrenagens não rodam. Mil ideias explodem, mas o escrever afunda-se no oceano iludido da preguiça de cada dia que, sem pudores, abusa de mim.
De qualquer forma, a não ideia é uma ideia. Ela dá frutos, como isto que, sem rumo, escrevo... talvez não seja nada maduro, todavia são espaços preenchidos... um começo. O princípio de algo. O princípio do princípio.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Pai, afasta de mim esse ódio

Tão fácil é cuspir o ódio... fácil é cuspir o ódio, e cuspi-lo são.  Cuspir esse ódio surdo, esse ódio vil armazenado em cada letra cuspida por seu ódio. Ofensas sem sentido... por que? As eleições acabaram. Dilma venceu... mas, e teu ódio? Teu ódio venceu o teu amor? Venceu teu amor nas eleições? Nas eleições da tua alma?
A razão é tua, toda tua, tu está corretíssimo. Mas talvez teu candidato não seja o deste cara, ou daquele... talvez seu candidato não esteja certo, ou esteja, mas talvez o candidato daquele outro esteja também, ou não... quem sabe?
“Nordestino ignorante”, “Povo burro”, “Nordeste nunca vai dar orgulho pro Brasil”... mas não são as várias escolhas, várias opiniões que regem o amago duma democracia? Ódio, incompreensível ódio, embora não vivamos num país justo de governantes transparentes, nada justifica o bombardeio de ofensas à uma região tão bela. Uma região de maravilhosas maravilhas naturais, uma região que nos deu tão lindos artistas – José de Alencar, Aluízio Azevedo, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Zé Ramalho... e um vasto valor cultural. Votemos no amor.
Viva a democracia, viva o respeito – boa sorte, Brasil –, viva o amor. O amor que nos faltou...

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Porra, São Pedro...

Sei lá... Sei lá... Sei lá... esse calor que fode alma adentro me faz pensar apenas nesse calor que fode alma adentro. O corpo sua, a mão seca que seca a testa molhada feito para-brisa, a sede queima, a água desce seca, seca e rasga. E a chuva nunca vem. São Paulo, a terra da garoa... garoa de sol, garoa de luz cortante...
Saudades da chuva; aquela chuva que refrescava e acalmava tudo após a tempestade de calor que hoje castiga veementemente as más bocas; más bocas que antes tanto zombava do nordeste e sua sequidão, mas que agora sofrem com o que antes era-se apenas alheio aos zombadores das más bocas... até parece um castigo de São Pedro.
O ventilador sopra quente. As paredes são uma fornalha. As moscas me atacam obscenamente, brincando de pousar sem escrúpulos e tapeando minha mão que as persegue inutilmente...
Saudades de quando a água executava a sede brutalmente... agora apenas dá a ela uns tapas camaradas...  
Esse mormaço abafado parece uma prisão sufocante... TUDO É QUENTE... sei lá... só espero que São Pedro pare de putaria e volte com a normalidade que reinava... cansei de experimentar o sabor do inferno.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

The Tédio

Tédio. O pé que dorme; os olhos que fitam, e a luz que, no piso gelado, pousa. A cama quente, o frio que esquenta, e a música que sorri aos ouvidos. Os olhos que se fecham, a moça que fala, o Téo que late. A música que se vai, a mente que escreve. A música que volta para fazer meus ouvidos felizes, os pés que gelam, e as meias que chegam. A caneta lenta que beija o papel, o azul que marca, e a mente que se distrai. A música que se vai, os olhos que piscam, o corpo que respira, a mosca que canta, e a música que torna, vêm...
A preguiça desembarca. A mãe que grita e a louça que não se lava, só. A lição que não se faz, só. A roupa que não se estende, só... E essa chatice amável do dia-a-dia que não me deixa, só.