sábado, 17 de março de 2018

Querido Sábado

Os sábados tornaram-se deleitosos - na verdade sempre o foram -, com especial atenção às suas manhãs. 
Sua aurora é como minha aurora. Seu calor virgem, fim deste verão, é um terno abraçar... pois há um estranho prazer em acordar de modo desprogramado, incondicionado, sem obstinação alguma do despertar agudo, mal dormido, que salta o sangue aos olhos enquanto o corpo mal se sustenta, proporcionado pelo sepulcro despertador. 
Há, também, jubilo em estar despreocupado quanto ao vestir-se, quanto ao aparentar-se, que, agora, jaz autentico: isto é, em desalinho.
Música leve, a preguiça me perpassa o ser. Sentado na poltrona sinto, e sou, um segundo de paz. O café... a alma delira - calmaria. Querido sábado.




Contudo, isto posto, soturno, pergunto: "é tudo passageiro? Tudo isto - este renovar-se - é apenas um alento, uma ilusão, uma algazarra à dignidade, vista à semana brutal que logo se aproxima...?". Sem resposta. 
Mas tudo bem, sempre está tudo bem...

domingo, 7 de janeiro de 2018

Parágrafos Vazios

O olhar fixo no ar, acompanhando o movimento do Nada a interagir com o Desconhecido.
Lineares são as rotas que levam a inércia à ansiedade - fruto da insaciedade.
Quase sempre tudo é muito confuso na ociosidade dos dias inúteis.
Feito autômato, movimentos se repetem, agitados - ávidos por preenchimento.
Preenchimento... que formidável criatura, inimiga una de tudo que me é caro, isto é, a preguiça - sendo ela, "inmovimento" de tudo que me é frustrante.
Qual a Razão das Coisas? Qual a Razão da Ação, do Agir? Teatro infinito, cujo as almas se obrigam, se submetem a fim de... preenchimento.
Preenchimento, que abominável fera, impele a todos a mentiras auto-ditas, quando a Verdade, em verdade, é elemento inseparável do Vazio.
Preguiça - tudo se resume a isto.
Maldito domingo.