Não dou alforria à minha alma,
pois sua inquietude mantém-me vivo. Mantém-me atento as coisas vãs do dia que
corre, realmente corre, quem sabe, junto ao andar das nuvens. Sem trabalho para
pesar a incapacidade, aos poucos, vou voltando a ser quem sou: nada. Mas um
nada que observa, um nada que cheira, que ouve, e um nada que sente e que
reflete. Sou ainda, além de nada, um vazio, mas vazio que ora a ora se enche:
de amor, de comida e de gente... e de Moça – amor.
A cama e a janela voltam a estar
lá no quarto de sempre. A preguiça retorna como quem não queria voltar... a
música sempre varia, indo das vozes e letras brevemente profundas e
infinitamente tocantes dos eternos músicos, talvez poetas, da nossa cultura.
Chico à Caetano. Cazuza à Tim e à Renato, também. Pixinguinha à Cássia. Raul à
Tom à Elis... O jazz aparece como uma alma de sabor taciturno, a clássica com a distinção
de uma ópera do século XIX, o rock com a leveza dum soco de timbres penetrantes,
o rap a jorrar o fel da realidade, o reggae a emanar a paz da irrealidade... durmo.
