Confesso que meu amar brota aos poucos, pacientemente, fingindo ser ele um grande sábio de barba branca e tudo. Assim, nessa complexidade de simplismos -- tão orgânica como a própria vida --, vou recebendo o teu inesgotável amor como alimento primordial, dando, então, a exata expressão da nossa aliança, o que, por consequência irrepreensível, vai formando o forte tronco e suas grandes e belas folhagens. As raízes, sempre firmes, vão ganhando consistência e profundidade a cada minuto juntos -- mesmo que distantes --, a cada constante riso juntos -- mesmo que distantes --, em cada "eu te amo", abraços, amassos, caretas e karinhos -- esses nunca são distantes --, e, ainda, em cada pensamento meu que vejo (e me vejo) envolto nesse radiante ser seu, a grande árvore da nossa paixão vai fazendo sombra na minha existência (que agora é sua existência), impondo um final feliz, enfim, ao cruel machado da saudade, da bestial ignorância e do cego egoísmo, esgotando todo o terrorismo torturante dos fatos, pois sou feliz (e te amo massivamente) mesmo sem tê-la agora em meus braços.
Café com Letra
"Basicamente, era por isso que eu escrevia: para salvar meu rabo, salvar meu rabo do asilo de doidos, das ruas, de mim mesmo." Hollywood, Bukowski
terça-feira, 2 de junho de 2020
quarta-feira, 9 de outubro de 2019
Nota do Ontem
Há dias característicos para o mal-estar inaudito, os sintomas são cristalinos: a mente sob neblina, onde nada flui nem funciona; a moral, rastejante, sob os pés; o desconforto de se estar vivo, lúcido, compartilhando a vida com (in)semelhantes... sujeitando-se à maré de sorrisinhos amarelos, da resposta sempre positiva, mas impensada, do "oi, tudo bem?"; e, com tudo isto, sempre a empurrar o dia à barrigadas de asco.
Outrora havia luz, hoje não mais. A montanha-russa do humor, do espectro infinito das feições da personalidade humana segue teu rumo sempre de maneira retilínea em sua inconstância: teu ser ascende, teu ser descende; e o respirar cada vez mais abafado, rarefeito, sumidiço... cada vez mais fluído, prazeroso.
sábado, 17 de março de 2018
Querido Sábado
Os sábados tornaram-se deleitosos - na verdade sempre o foram -, com especial atenção às suas manhãs.
Sua aurora é como minha aurora. Seu calor virgem, fim deste verão, é um terno abraçar... pois há um estranho prazer em acordar de modo desprogramado, incondicionado, sem obstinação alguma do despertar agudo, mal dormido, que salta o sangue aos olhos enquanto o corpo mal se sustenta, proporcionado pelo sepulcro despertador.
Há, também, jubilo em estar despreocupado quanto ao vestir-se, quanto ao aparentar-se, que, agora, jaz autentico: isto é, em desalinho.
Música leve, a preguiça me perpassa o ser. Sentado na poltrona sinto, e sou, um segundo de paz. O café... a alma delira - calmaria. Querido sábado.
Contudo, isto posto, soturno, pergunto: "é tudo passageiro? Tudo isto - este renovar-se - é apenas um alento, uma ilusão, uma algazarra à dignidade, vista à semana brutal que logo se aproxima...?". Sem resposta.
Mas tudo bem, sempre está tudo bem...
domingo, 7 de janeiro de 2018
Parágrafos Vazios
O olhar fixo no ar, acompanhando o movimento do Nada a interagir com o Desconhecido.
Lineares são as rotas que levam a inércia à ansiedade - fruto da insaciedade.
Quase sempre tudo é muito confuso na ociosidade dos dias inúteis.
Feito autômato, movimentos se repetem, agitados - ávidos por preenchimento.
Preenchimento... que formidável criatura, inimiga una de tudo que me é caro, isto é, a preguiça - sendo ela, "inmovimento" de tudo que me é frustrante.
Qual a Razão das Coisas? Qual a Razão da Ação, do Agir? Teatro infinito, cujo as almas se obrigam, se submetem a fim de... preenchimento.
Preenchimento, que abominável fera, impele a todos a mentiras auto-ditas, quando a Verdade, em verdade, é elemento inseparável do Vazio.
Preguiça - tudo se resume a isto.
Maldito domingo.
domingo, 19 de novembro de 2017
Breve Nota: Anseio
Anseios. A alma necessita de anseios, posto que é livre - ou, pelo menos, deve ser. O batuque latente das vontades humanas é combustível às ações que findam por nos definir: o que somos, o que fomos, o que seremos - realidade, memória e esperança, respectivamente.
domingo, 8 de outubro de 2017
Nota da Distração
Gosto de observar o céu, lembra-me liberdade. Mas me distraio muito facilmente. Uma certa aflição inexprimível me arrebata; deve ser apenas a condição de se estar vivo num domingo, muito embora as palavras "domingo" e "vivo", em seu cerne, não coadunam...
A mente clama por silêncio ao mesmo tempo em que está faminta por ação, por preenchimento, e isto, unicamente porque quer estar viva - sentir-se - mas, o corpo... o corpo sempre pende ao colchão, onde os luminosos anseios se tornam opacos, tornam-se obscuros - no escuro quarto.
Distraio-me muito facilmente. Em minha mente bolo mil planos, todos falíveis, todos confusos... É domingo. Domingo! O amanhã caminha feito o prisioneiro ao cadafalso; sendo o sonho deste dia, a guilhotina e, o despertar do outro, a cabeça - desconexa.
Distraio-me fácil. A perna inquieta, pra lá e pra cá, como que desejando a paz. Paz... Domingo. E o tempo como que parado, como que pesando sobre as costas - energia intragável.
Distraio-me facilmente. Às vezes, nada parece real e sinto-me parado numa marcha que não para nunca - vida?
Distraio-me facilmente. À cabeça, toneladas de ideias comprimidas, feito o universo todo durante o big bang. Quando explodirá?
Distraio-me facilmente, mas a tudo amo, a tudo sou grato, a tudo perdoo e, no âmago, sei que há sentido. Sei que tudo se conecta, tudo se comunica. Sei que, mesmo nada sabendo, a tudo também sei.
Distraio-me facilmente.
domingo, 14 de maio de 2017
Tardes
Gosto do sabor das tardes preguiçosas - feito esta. A vida parece fluir lentamente, mas numa lentidão agradável, como que se suprimisse qualquer anseio que perturbe o já frágil equilíbrio.
Nesta tarde de domingo, a mesma energia típica que sempre a perfila está presente. Nesta tarde de domingo venta, venta, como quem carrega para amanhã - segunda - qualquer sinal de pensamento mundano. Nesta tarde de domingo, o sol baixo por entre os algodões doce reflete diversas cores na parede de casa, enobrecendo a vista, enternecendo o coração.
Pois bem. Tudo passa. Tudo passará. Logo, sei que breve a escuridão nasce e com ela as preocupações do dia vindouro - segunda - surgem no espírito, fechando, assim, o ciclo semanal da montanha russa humana, que decidimos, inocentemente, chamar de vida.
quinta-feira, 11 de maio de 2017
Dos Dias
Acordar em dias de labuta é sacrifício, e embora a carne clame por mais dez minutos, o salto da beliche é sempre inevitável. Com o corpo ainda amolecido pelas poucas horas de sono, a olhadela no espelho é uma caixinha de surpresas para um diferente tipo de cabelo bagunçado diário. O banho quente surge como um consolo; o café nos permite caminhar.
A brisa da manhã, ainda que urbana, é fresca. O sol, quando dá as caras, é leve e acolhedor, assim como a energia da aurora humana que paira no ar.
O "busão", feito todos os dias, está lá. As pessoas do busão, - quietas, sonolentas, taciturnas - feito todos os dias, estão lá. As mesmas paisagens, impassíveis, imóveis, mas como que vivas, estão lá. No trem da ida, a mesma coisa; e a sociedade humana segue teu rumo. - mas para onde?
Como que num piscar de olhos, trabalho e rio e aprendo: lugar agradável. Seis horas voam e, já no trem novamente, a faculdade já se faz próxima. Neste percurso, a vida se torna interessante. As pessoas agora mais ou menos despertas expressam no olhar mil sentimentos absolutamente inteligíveis e, ao mesmo tempo, inexprimíveis às nossas bocas ainda limitadas. Os trabalhadores do "shoptrem" - injustiçados? - vagueiam pelos vagões fazendo ecoar a plenos pulmões seus bordões na esperança de unicamente sobreviver: "Pururuca um real", "Ó a água, refresca, hidrata", "Halls um real"... alguns gracejam, a tragédia alia-se à comédia. Seguindo o grito dos bordões surgem as cochichadas e os papos que voam de lábios esparsos e mentes vazias.
Barra Funda. Baldeação.
Cada embarque no metro é como uma tola arena de luta, as pessoas disputam e se espremem enquanto praguejam mutuamente de modo indigno a fim de tão somente economizarem tempo - será que economizam? - e, ainda que o economizem, será que vale a pena se humilhar? - parece-me que sim.
Perto da faculdade, o mundaréu de gente se esbarra aqui e acolá, apressados em por as mãos no diploma, e somente neste, prescindindo e terceirizando, ou nem isto, o conhecimento.
No final dessa batalha, com as ruas vazias, sob a sublime lua e os opacos pontos no céu, vejo-me quase em casa novamente - amém. Chego. O alimento sacia. A cama me abraça. E com a cabeça mergulhada no turbilhão da fadiga e dos pensamentos desconexos, afogo-me em sonhos.
domingo, 7 de maio de 2017
Finais de Domingo
Finais de domingo são tão reflexivos. Ficamos a sós com nós mesmos; pensamos no amanhã; em como a rotina retorná inexoravelmente para saciar-se de nós. Finais de domingo é o momento no qual olhamos nossos próprios vazios e refletimos sobre o que há de errado com a vida, o que há de errado conosco. Finais de domingo é o resumo da energia pesada que paira sobre o dia, enquanto permanecemos deitados fazendo qualquer coisa que nos distraia e nos desvie. Finais de domingo é discernir sobre tudo e não saber de nada. Finais de domingo... é como a vida; é como a morte; é renascer.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
Adultismo
As imagens que a luz do sol produz pela manhã é deleite aos olhos, enquanto a brisa que sopra de não sei qual direção nos tira o peso das preocupações inúteis e mundanas; mundanas mas inerentes. Mergulho no café, nada mais existe - ouço os pássaros.
Hoje as coisas estão diferentes, o adultismo nos transforma: trancamos alguns sonhos, sacrificamos certos desejos e nos entregamos despidos com a alma em frangalhos para que possamos ser enquadrados na algazarra da vida cinza e programada... contudo, contrariando a realidade, a busca pela verdadeira liberdade, a busca pelo sentido e, mais importante, a busca pela felicidade, ainda continua, mesmo em meio aos muros do destino.
Penso que não podemos consentir com a felicidade em momentos, posto que a memória é falha e os momentos são efêmeros. Penso que não podemos viver em prol do próximo fim de semana, do próximo feriado, das próximas férias, pois é como se cada dia de labuta fosse um martírio... penso eu tanta coisa... o que é o passado senão o punhado de fatos que nos lapidou ao que hoje somos... o que é o futuro senão o universo de incertezas da nossa mente frágil, isto é, inocente ilusão... e mais, o que é o presente senão a própria vida em movimento... e a vida! o que ela é senão o clarão da tempestade que ao mesmo tempo que ilumina o céu, nos assusta por parecer dantesca...
O dia está agradável, feito a bagunça do quarto. A fome pesa. A preguiça impera. Amanhã já trabalho. Adultismo...
sexta-feira, 22 de abril de 2016
Da Madrugada
A brisa que a noite sopra é fria e suave – feito teus lábios,
a mim, irreais. Pela janela observo a cidade enxaguada pelas pequenas luzes das
ruas. As escassas estrelas que reluzem opacamente demonstram nosso vil
sentimento de indiferença à beleza da natureza, escancarando o avançado
desespero do progresso: onde poluímos o ar, poluímos a paisagem, destruímos a
cor e manchamos a nossa alma – crime hediondo...
Ao longe, um funk delira em loucos timbres autômatos, além
de latidos, esdrúxulos gritos humanos e o motor dos carros, consolidando o usual
contraste ao sentimento de acolhimento comum às calmarias das madrugadas...
A Lua está cheia, rainha, exercendo seu protagonismo no
firmamento solitário, a jorrar teus raios e a abraçar seus ordinários
espectadores, alimentando seus sentimentos e lembrando-os que a solidão é uma
ilusão, pois ela está lá fora e aqui dentro, conosco: a lua lá, a saudade aqui.
sábado, 19 de março de 2016
Do Verão
Sinto o dia passar sem pressa. A brisa do verão que se esvai é leve; é sublime; é esparsa. Percebo os detalhes, cada um deles; como os do quarto, onde os livros empilhados lembram-me do tempo jogado fora, e onde, ainda, seu cheiro denota sonolência e preguiça - feito útero materno ou um ninho duma mãe pássaro qualquer; mas sua bagunça me conforta... da sala a televisão cospe bobagens, o Téo dorme só - só dorme - e o sofá vinho seduz. Do fundo de casa a visão é sempre bela com o sol a imperar e esbanjar suas madeixas douradas de calor. As casas se observam, as nuvens dançam um ballet incessante num quadro de infinito azul - mas ora branco e dourado e lilás e púrpura ora cinza e negro...
A ociosidade é uma benção: anestesia o anseio de viver logo, amar logo, sofrer logo... anestesia a nossa vontade de nos sentirmos cotidianamente vivos, e talvez úteis - mas quem se importa verdadeiramente?
Um suspiro... um olhar sóbrio ao brilho desta caneta que me auxilia; me auxilia a prosar.
domingo, 6 de março de 2016
Olhos de Alma
E vi-me lúcido na escuridão
Quando os abri
A luz me exibiu suas trevas
Assustando-me
Fechei os olhos
E não havia mais dor
Não haviam posses
– Nem poses
Tudo era um
Havia, também, igualdade e justiça
Pois
Todos eram nada
Abri os olhos e havia medo
Havia ódio
Havia disputa
E
Segregação entre iguais
– Era mesquinho
Nas trevas
Ao fechar os olhos
Era como se tudo fosse paz
Harmonioso...
Abri os olhos
E vi o caos no silêncio
A maldade no sorrir
E
A malícia na inocência
Não abro os olhos...
Não abra
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
Piegas
Do amor dela quero apenas a essência - sublime e bela. De teus grandes olhos, negros, desejo só a alma. De teu corpo quero apenas a metamorfose que nos torne um. De teus cabelos longos, que me enlaçam, quero, unicamente, a graça da existência... e de teu ser tudo eu quero - absolutamente tudo, ti.
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Uma Mulher
Fui
moça. Tive sonhos. O maior deles, que se fora, foi o anseio pela liberdade para
ser o que eu era – ou o que nunca realmente pude ser:
mulher. Hoje, velha e descrente, sou nada mais do que o resto dos meus
lamentos e privações de uma vida submissa.
Nasci
um anjo, como todos. Cresci alegre, feito todas as crianças. Brinquei e sorri e
chorei – igual ao mundo! – mas, nem por isso, pude exercer verdadeiramente
minha alma...
Tudo
começou quando eu desabrochara durante aquela manhã – 1942 –, onde o filete
escarlate escorreu-me sobre as coxas e tudo se fez novo. Corri até mamãe com
pavor, mas ela sorriu ante ao horizonte que agora desflorava-se. Não entendi
nada daquilo, eu estava apenas apavorada. Ela tentou me explicar, e após pouco
entender, sorri e a abracei – ainda com medo.
O tempo
passou e a puberdade veio para realizar sua mágica irremediável: os seios se
engrandeceram, o quadril e as coxas alargaram-se. Eu ficava mais sentimental;
menos e mais medrosa; mais e menos triste; menos e mais feliz; mais e menos
quieta; mais e mais agitada... presa num turbilhão de emoções sublimes e
infinitas.
Certo
dia, percebi como era prazeroso tocar-me lá – sim, lá, na
vagina – mas fiquei com medo. Era pecado? Acho que era... mas
sentir-se bem é mau aos olhos de Deus? Se sim, então perdoe-me, Senhor, senão,
obrigada, Senhor. Cada vez que conhecia mais meu corpo, ao toque, minha
mente suspirava e cada gesto me levava ao céu. Até que no limiar, no pico, no
clímax, eu via Deus.
Cresci
de vez e, à época, a minha família – a Deus –, tive
de casar cedo, contudo, contra minha vontade. Não pude chorar, não pude
brigar nem exigir ou defender o que eu queria... não havia juiz, a ordem dos
bons costumes era uma só... Eu era jovem, ingênua, boba, uma criança de
alma, ainda inocente. Mas assim se fez... minha liberdade ilusória passara da
validade... e meus sonhos, enfim, jaziam no papel passado, na aliança do falso
sentimento, no dote... Casei-me sem amor; sem amar.
Trinta
anos se foram. Trinta anos de desejos e anseios de ser eu, me foram negados sob
as asas do matrimônio. Eu fui o desejo dos outros. Lembro que íamos às festas, mas eu não podia dançar
sozinha, nem beber muito, nem conversar com outro homem descompromissadamente.
Lembro também que eu não podia trabalhar, mesmo com o tédio corroendo minha
sanidade. Lembro que não gostava de tricotar, mas o aprendi por força dos
costumes. Lembro que tinha poucas amigas e que nossa diversão se limitava ao
lar. Lembro que lia romances de amores verdadeiros, para me imaginar sendo
amada. Lembro que me apaixonara, certa vez, por um outro homem, porém, o amor
hipócrita era a prioridade, embora soubesse que era traída... hipocrisia é a
mãe do desamor. Lembro que o sexo nada mais era que um passatempo machista,
visto que o maior prazer eu mesma me proporcionava – ao toque –
enquanto ele apenas sanava suas necessidades fisiológicas... Tive filhos, e
eles foram a luz e a doçura entre muito tempo de dissabores. Amo-os e os amei o
máximo que pude, como que para compensar um afeto ao amor verdadeiro que nunca
tive.
Bem...
e quando meu marido se foi, calei-me, unicamente, e encontrei uma opaca luz de
liberdade, mesmo estando velha e desinteressante fisicamente. As rugas brotaram
lentamente, mas implacáveis. A pele perdia a textura e a maciez que a
caracterizavam... o brilho nos olhos se fizeram foscos e os cabelos eram
prata...
O tempo
passou. Dos meus filhos surgiram anjos que me trouxeram uma fresta da
felicidade que me retornara após anos. Acho que estava livre, mas era tarde
demais.
Agora
pergunto a quem puder ouvir meu pensamento: O que é ser mulher?
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