Confesso que meu amar brota aos poucos, pacientemente, fingindo ser ele um grande sábio de barba branca e tudo. Assim, nessa complexidade de simplismos -- tão orgânica como a própria vida --, vou recebendo o teu inesgotável amor como alimento primordial, dando, então, a exata expressão da nossa aliança, o que, por consequência irrepreensível, vai formando o forte tronco e suas grandes e belas folhagens. As raízes, sempre firmes, vão ganhando consistência e profundidade a cada minuto juntos -- mesmo que distantes --, a cada constante riso juntos -- mesmo que distantes --, em cada "eu te amo", abraços, amassos, caretas e karinhos -- esses nunca são distantes --, e, ainda, em cada pensamento meu que vejo (e me vejo) envolto nesse radiante ser seu, a grande árvore da nossa paixão vai fazendo sombra na minha existência (que agora é sua existência), impondo um final feliz, enfim, ao cruel machado da saudade, da bestial ignorância e do cego egoísmo, esgotando todo o terrorismo torturante dos fatos, pois sou feliz (e te amo massivamente) mesmo sem tê-la agora em meus braços.
