terça-feira, 22 de setembro de 2015

É Primavera

Já é primavera – quente primavera.
Abro os olhos, e o primeiro pensamento lucido que me vem é de estar acordado, o segundo, é agradecer à vida pela vida.
Quente, quente e quente, esta é a previsão. Calço os chinelos, visito o espelho, sinto o banho, suo, devoro o café – o preto.
Escola, velha escola... apenas umas poucas aulas, os amigos, ela, a interação e a certeza de gargalhar por qualquer inutilidade me fazem ainda caminhar a você –  e a necessidade do diploma, certamente.
Percurso é rápido. Chego. Cumprimento, cumprimento, cumprimento, beijo, cumprimento. As aulas voam devagar. Copio e aprendo e boio. Rio. Xingam-me. Ao meu lado gralhas esperneiam como hienas assistindo a uma comédia, mas alegro-me em vê-la. Um coro de “O” soa, alguém disse merda – mas, porém, todavia e entretanto, alegro-me ao vê-la.
Fim da mesmice. Chego em casa. Téo me recebe com um amor quase crístico; retribuo ao meu modo, ele sai. Arrumo-me, como e vou.
No ônibus diversas expressões exprimem mil experiências e um milhão de percursos de vida. No trabalho o aprendizado e a liberdade me fascinam. No busão, de volta, leio, leio, contemplo o céu.
Em casa – novamente – surge o prazer em me despir da masmorra que a roupa se torna  em dias quentes. O jantar é jantado. Escrevo. Lembro-me dela, sorrio.