domingo, 17 de novembro de 2013

deus moderno

O dinheiro é a base da sociedade capitalista. Um deus moderno que sacia desejos, deus que nos dá o poder do TER, e nos tira a essência de podermos SER. Tudo gira em torno dele e tudo passa por ele. O poder de persuasão que ele causa no ser humano é impressionantemente devastador, pois sua força corrompe mais e mais a alma, e propaga a pobre pobreza do ser.
Desde que nascemos, somos criados e moldados a entender o quão importante é ter o dinheiro em nossas vidas, portanto, vivemos presos ao cabresto do sistema, que nos diz: “Trabalhe, dinheiro, trabalhe”. E são essas palavras que são obedecidas sem ao menos titubearem. Buscam conforto e comodidade com o dinheiro, porém, perdem-se dois terços da vida apenas trabalhando como um escravo para se sustentar, e sustentar também, seus “senhores”, conhecidos como patrões ou chefes. E quando é chegado o momento da aposentadoria, que geralmente usam para descansar e “aproveitarem” o que resta da vida, olham o que viveram e percebem que ainda é a mesma pessoa, não pobre, não rica, mas, sem graça, com circunstancias e características diferentes que mudaram com o tempo, o físico abatido, os cabelos embranquecidos e uma família. Filhos, ou seja, crias que sustentarão o sistema moderno de auto-escravismo e que darão continuidade a todo processo.
Esse deus é maligno, pois, se o dinheiro fosse a salvação ou a fórmula para a felicidade, não haveria desigualdade, não haveria pobreza, não haveria desgraças, não haveria fome, não haveria ignorância. Os males da Terra seriam mínimos ou nenhuns, pois, todo dinheiro do mundo, se bem distribuídos, preencheria o vazio e o desejo dos mais pobres, que é o de possuir dignidade. Mas como o ser humano é uma criatura corrompida, egocêntrica e individualista, poucos têm muito, e muitos têm pouco.  
Por que não pode imprimir determinada quantidade de dinheiro e distribui-lo a quem precisa? Pois desvalorizaria a moeda, e quem tem muito começaria a perder, e sua alma capitalista arraigada no dinheiro, trajado no mais fino terno, e no mais belo sapato, começaria a perecer junto a seu império escravista.
Claro, é impossível viver hoje nesse mundo sem possuir dinheiro, e como tudo está fundamentado nele, não há como fugir dele por mais que queiramos liberdade. Liberdade na mente e na vida. Refletindo, percebe-se que tudo está ligado ao dinheiro. Valores morais: se você tem, você é trabalhador, você é digno e merece respeito.  Preconceito: se você é adulto, mas não trabalho e consequentemente não possui dinheiro, você é vagabundo, preguiçoso, a ovelha negra, ou ainda, o sem rumo. As pessoas já presas e devotadas ao deus dinheiro, jugam baseando-se no que você tem, e todo esse julgar ridiculamente distorcido é graças ao dinheiro.
Logo, a felicidade proporcionada pelo dinheiro é ilusória, a verdadeira felicidade está no ser, está na mente livre do véu que o sistema nos cega há séculos. Séculos de tirania.                                   

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

PARADOXO

É engraçado como as coisas acontecem. A vida chega a você sem avisos e sem rodeios. E se não for forte o suficiente, ela lhe afundara, até não sobrar mais fundo.
As coisas são interessantes. Vivemos numa realidade relativa, na qual, nossas ações e escolhas definirá nosso futuro. O que fará a diferença nesse futuro relativo é a qualidade dessas ações, que causaram consequências à altura, seja positivas ou negativas. Mais interessante ainda, é como as vidas das pessoas entrelaçam-se, causando um fator de mudança, criando uma realidade diferente, pois a pessoa que envolver-se com nós, irá de maneira inconsciente ou consciente, causar uma mudança em nosso “destino”.
Imagine a situação. Uma pessoa é atropelada não gravemente por um carro, o motorista que atropelou estava indo trabalhar, mas como deparou-se com um problema no trânsito, logo atrasou-se. O acidente causou congestionamento, atrasando também, outras pessoas que estavam indo ao trabalho. O acidente que atrasou o motorista e as outras pessoas afetou também, pessoas que dependiam dos motoristas que estavam indo trabalhar. Voltando ao inicio do problema. A pessoa atropelada sofreu o acidente, pois atravessou a via no farol vermelho, porém, ele apenas cometeu este erro, porque estava atrasado para um compromisso. O atraso foi motivado devido a sua mulher o acordar fora do horário, e esse atraso deu-se devido ela estar brava com ele, pois na noite anterior eles haviam discutido devido a um assunto exposto num programa de tevê...
A vida é um paradoxo, todos nós estamos envolvidos com todos, e tudo. Causa e Efeito, Ação e Reação, um efeito dominó improvável e relativo, num Universo feito de infinitas possibilidades.

domingo, 20 de outubro de 2013

Weekend


Finais de semana em sua maioria são tediosos. Acordar tarde no sábado – igual a todo mundo. Depois de muita briga e discussão com a força misteriosa que segura-me na cama, resolvo levantar. Corpo pesado e desorientado, como se a carga de cansaço da semana inteira de estudos tenha se acumulado e se despejado em mim com o dobro da força.  Movimentos lentos, preguiça à todo vapor. Olhos cerrados, cabelos ajeitados ao acaso, semblante abatido, estomago esvaziado.
Café; café que preenche o vazio do estomago, arrebatando a fome e dando-me uma disposição para poder iniciar o dia. Olho a janela, e ao fundo, a típica paisagem mórbida se mostra, porém, ensolarada, com um tom mais alegre. Passam-se as horas, e quando a leitura não pode mais deter minha vontade de não fazer nada. Paro. Penso, escrevo.
Meu humor no fim do dia fica a mercê do resultado da partida do Tricolor do Morumbi. E até a hora de deitar para iniciar um novo ciclo diário, o computador toma conta do entretenimento e a internet torna-se meu sustento.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Inspiração?

Será mesmo que existe a tal da inspiração? Aquela mesma, que ajuda-nos a escrever, como se pegasse em nossa mão, auxiliando-nos em cada traço, cada linha, acariciando nossas ideias e traduzindo o pensar, transcrevendo-o em letras, sílabas, palavras...
Talvez não, pois se pensarmos de maneira mais insensível, a inspiração, nada mais é que uma muleta, ou seja, uma desculpa para a falta de criatividade de quem escreve. Mas tudo é relativo, quando não temos nenhuma ideia, sentimo-nos com a mente travada e impotente, sem inspiração. E quando estamos com a inspiração, o pensamento flui com clareza e naturalidade, e o texto é criado.
Porém talvez, quem sabe... Quando menos esperamos, alguma ideia clara, surge, desenhando-se em nossa mente. Uma ideia do além... Mas que além?
Logo, indiferente ante a questão. Só sei que nada sei – Sócrates, filósofo.
Só sei que, pensar todos podem, escrever também, seja com inspiração, ou sem – Bruno, ninguém.

domingo, 13 de outubro de 2013

Relatório extraterrestre

Há uma expressão que pode traduzir o dia-a-dia dos terráqueos neste planetinha azul. Morbidez mórbida.
Digo isso, pois mesmo esse planetinha, possuindo vida orgânica em sua superfície, e mesmo essas formas de vida orgânica, possuírem diversos itens e artifícios, que lhes proporcionam diversão e felicidade ilusória. Sua rotina é a mesma que foi ontem, e será a mesma amanhã.

Partindo do princípio para uma explicação mais ampla. Ao nascerem, nascem chorando, demonstrando repúdio ao nascimento, como se não quisessem sair da fêmea-mãe. Tal fato prova-se, pois quando o primata pelado (bebê, criança, moleque, pentelho ou peste, apelidos que os dão na Terra) está em processo de desembarque da fêmea (parto), a fêmea em questão faz um esforço colossal para que a criaturinha – que não quer nascer –, saia, mesmo sendo a força.

Após o nascimento, sua dieta é basicamente a base de leite, alguns grãos, frutas, vegetais, carne animal, água e outros minerais – Aqui nesta explanação, a morbidez prova-se, pois consomem tais alimentos até o dia da morte.
Durante a chamada infância, são guiados por animações coloridas – Denominadas, de “desenhos animados” – que não possuem nexo algum, e não condizem com a realidade. Ainda na infância, manuseiam plásticos coloridos inanimados, chamados brinquedos. Esses brinquedos, não possuem nenhuma função aparente, além de distraírem as crianças, para que elas não perturbem seus genitores.

Ao crescerem um pouco mais, fazendo alguns “aniversários” (comemorações em homenagem à aproximação da morte). Temos a adolescência. Fase mais complicada da vida dos terráqueos, pois nela, começam a descobrir coisas de “padrão adulto”, em outras palavras, amadurecer. Mas o amadurecimento é apenas teórico. Nessa fase, a “preguiça” (denominação ao ato de fazer absolutamente nada), toma conta de seus seres, e os tornam pedaços de carne insignificantes. Seus hormônios estão mais aflorados e ativos, portanto suas emoções consequentemente os enganam, fazendo-os agir pelo o que veem os olhos, e não com a razão, então perdem-se muitas vezes num poço de mágoas desnecessárias.

Amadurecendo e cicatrizando as feridas da adolescência, chega à fase adulta. Fase na qual, o ser terráqueo, se firmara como ser, definindo o que será para o resto da vida. Não há muito que dizer, pois na fase adulta, o terráqueo, praticamente trabalha, come, dorme, firma uma aliança amorosa com uma fêmea (casar), tem novos terráqueos. E assim, dá-se a continuação da espécie, e da morbidez.

Passando mais algum tempo, alguns anos terráqueos após a fase adulta, chega à velhice. Fase de descanso, de relembrar as glórias do passado – Mesmo que não haja glórias para serem lembradas, pois a única coisa que fez antes da velhice, foi fazer parte da morbidez.

São formas de vida ainda primitivas, e por isso, são carentes, emocionais, solitários. Não entendem ainda, qual o significado da palavra amar; definem tal palavra de maneira deturpada, discernindo-a e relacionando-a ao acasalamento e ao amor carnal – Ressalto aqui, que há dois mil anos, um de nossos missionários, foi em missão á Terra, para tentar ensinar os terráqueos, o significado da palavra amor, porém devido a algumas circunstancias, não pode fazer muito. Trabalhou apenas três anos, e ainda assim, fora crucificado.

Perto da morte, os terráqueos percebem que poderiam ter feito algo diferente da vida. A vida, não é apenas um ciclo, onde, nasce, vive, reproduz-se e morre. Não dissertarei sobre o sentido da vida, deixarei essa tarefa aos monges budistas da Terra.

E sem mais delongas, podemos concluir a fase em que vive os terráqueos atualmente, como: “processo de entendimento das coisas”. Logo, não dão as suas vidas, outro rumo, se não a morbidez hereditária. Contudo, como estão em fase de aprendizagem estão fadados a melhorar, e assim, tornarem suas vidas, mais dignas de serem vividas.



sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Sexta dos inferno

Dizem que sexta-feira é o melhor dia da semana, pois antecede o sábado, e depois vem o domingo. Santos dias de descanso. Portanto é motivo de alegria, planos para noite, postagens sem graça no facebook, entre outras bobagens. Mas acho tal euforia errônea, pois minha analise não enquadra-se nas opiniões dos eufóricos.
Primeiro passo da minha sexta é ir à escola... Mesmice mórbida, cuja única alegria é saber que se está na escola. Carinhas ansiosas, pois querem logo o fim das aulas. Imploram pelo fim delas, como se estivessem numa tortura eterna. Carinhas também, semi-risonhas, extasiadas com o dia pós-escola, pois ao chegarem em casa, estarão despreocupadas com o dia seguinte. Vida boa... Queria eu ter uma sexta assim. Mas se assim fosse minhas sextas, eu não teria a oportunidade única de conviver com os mais diversos tipos de pessoas, oportunidade também de expandir minha sociologia particular. Observando, vou conhecendo-as apenas através do olhar ao semblante; semblantes muitas vezes abatidos pela “santa” sexta-feira de muita luta e trabalho.
Ao sair da escola, apronto-me para ir ao curso. No ponto de ônibus, esperando pelo transportador de carne, disfarçado de transporte público. Aproveitando a espera, observo as pessoas que rodeiam-me. Moças prontas para o trabalho, com seus cabelos muito bem presos, rostos maquiados sutilmente, e provavelmente preocupados com o horário, pois, caso atrasem-se, terão problemas. Homens, alguns trajando roupas sociais, outros mais despojados. Compromissos indefinidos a mim, mas provavelmente sérios. Ao tomar o ônibus, observo pessoas de todos os tipos ocuparem os assentos e os espaços de locomoção, todos muito quietos, e de caras fechadas – E por que teriam motivos para rir ou falar?
Contando o tempo de permanência no curso e o tempo das viagens, permaneço cerca de 4 horas no centro de Osasco. Tempo suficiente para observar as pessoas, e chegar a uma conclusão íntima delas. No ônibus novamente, na viagem de volta, pessoas cansadas, transpirando a luta do dia, jogadas nas cadeiras, e tornando a atmosfera do transporte pesada, como se cada pensamento delas exalasse um ar denso, que atrapalha a respiração suave, inibindo a liberdade do pulmão. Trabalhadores, donas de casa, estudantes, amigos, solitários, sonolentos, mães e crianças, vão compondo o time. Calor, aperto, e à medida que vão passando os pontos, mais e mais pessoas vão subindo, excedendo vorazmente a lotação, a ponto de questionar-me se a lei de Isaac Newton está correta. Será mesmo que dois corpos não ocupam o mesmo espaço? Ao fim da viagem, aproximando-me de casa, mais um desafio, driblar todo mundo para alcançar a porta de saída.

Realmente a sexta-feira, não é tão boa assim. Porém, tudo depende do ponto de vista, e minha visão sobre a sexta é insignificante, pois cada um vive de acordo as circunstancias que está. Seja na batalha, ou na pruma de permanecer inerte a nada.

A fórmula da felicidade

A felicidade esta mais perto do que imagina-se. Nada de amores, amantes, dinheiro, fama, absolutamente. A química da felicidade resume-se em alguns ingredientes simplórios:

1. Livro, eterno amigo, companheiro para todas as horas.
2. Moletons, roupas confortáveis para relaxar.
3. Dia frio e chuvoso, perfeito para usar o moleton, acompanhado pelo concerto musical de São Pedro(A chuva).
4. Café, esquenta o corpo, aquece a mente, essencial em dias frios e indispensável para uma boa leitura.
5. Um gato, mascote fofo, preguiçoso e mal-humorado.

Pronto, já pode ser feliz, sem moderação, sem preocupação.

PS: Vale ressaltar que é bom ir bajulando os gatos, pois um dia eles dominarão o mundo.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

MEDO

Insegurança, forte palavra que encaixa-se em nós como uma luva. Somos inseguros, temos medo do mundo e das pessoas. É difícil explicar o medo e suas raízes, talvez o sentimos, devido aos nossos condicionamentos, a cultura que permeia-nos, ideias, conceitos e religião. 
Sentimos medo da vergonha, somos tímidos. Tememos ser livres, preocupados com a impressão que causará nas pessoas que rodeia-nos. Somos carentes, precisamos do outro, e o outro precisa-nos. O ego, o orgulho nos puxa a liberdade, prende-nos na solidão.
Uma das causas para possuirmos tal emaranhado de emoções, é a sociedade. Terrível sociedade que visa a nossa robotização, alienação. Sociedade que causa-nos medo nos prende em nós mesmos. Negro é bandido, gay é doente, gordo é baleia, magro, perfeição. Estereótipos impostos pela tirania manipuladora, que dita às regras. O que comer, o que vestir o que usar, como portar-se. Essa é a base do preconceito. E caso ouse quebrar tais conceitos, você é anômalo, estranho. Ser diferente faz a diferença, embora a massa não entenda ainda, quebrar tabus distingue-te em meio a tantas cópias.
Mudando nossos conceitos, mudamos nós mesmos, e mesmo que mudança exija trabalho, continuidade, uma batalha diária contra o preconceito e descriminação, ela nos trará frutos. A liberdade. Pensemos mais em nós mesmos, não podemos deixar-nos levar pelo medo. Mudamos o mundo, mudando-nos.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Bloody monday

É... O que eu temia aconteceu... Serviram arroz e ovo na “xepa”. Realmente uma triste notícia a nublar a gélida segunda de outubro. Semblantes desolados, tristes, digerindo com esforço a gororoba temida pelos plebeus. As “tia” com sorrisos sombrios acompanhavam de camarote a tortura que ocorria, ante aos estômagos solitários, que além de estarem presos na maldita prisão da fome, eram judiados cruelmente.
Mas nem tudo são trevas, num outro canto do intervalo, não tão distante, os burgueses exibiam com glória, seus malditos lanches deliciosos, que os saciavam com louvor. Lanches das mais diversas porcarias eram tragados. Refrigerante e enroladinho, refrigerante e esfirra, refrigerante e cachorro-quente. Intermináveis combinações borravam suas bocas sorridentes. Seus olhos delineados cintilavam à medida que tragavam aquele bagulho. Mas enfim, a felicidade e a tristeza, iam passando conforme o sinal chegava.

Três últimas aulas, e duas horas e meia, transformam-se em eternidade. Enquanto cabeças inquietas boiavam no mar de incertezas, enquanto bolinhas de papéis não identificadas eram avistadas, enquanto as maquiadoras enfeitavam-se com tanto prazer quanto enfeitar uma árvore de natal, o tempo passava. Até que bate o sinal, e o suspiro de alívio, formava um coro agradável na sala.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Sociedade Escola


Um dia como outro qualquer. Acordar, descer do beliche - desengonçadamente - esforçando-me para não cair. Lavar o rosto, abatido pelo travesseiro, lembrar-me dos óculos, calçar os chinelos. Ir à cozinha olhar a paisagem urbana-poluída-nublada ao fundo da janela, e, finalmente, beber o café, que misturado à fome pós-sono transforma-se na bebida mais aconchegante criado pelo homem.
Escola... mesmas caras, mesmo cheiro, mesmo barulho dos lápis e canetas riscando a folha, com a expectativa do bendito visto. Mesmo tipo de papel a trafegar o céu da sala, que manuseados pelas mãos certas irrita o mais zen dos seres. Troca de aula, e dependendo da matéria há uma leve torcida para que o professor em questão tenha contraído uma leve gripe. No intervalo, os mesmos casaizinhos que no mês seguinte estarão com outros, abraçam-se. Na “xepa”, as tias, que nem ao menos são irmãs da minha mãe, ou do meu pai, servem aquela mesma gororoba, no mesmo prato de plástico - de cor azul - com o mesmo talher de plástico, oleoso, escorregadio e suave, onde é tragado para preencher o vazio do estômago.
Mirando a cantina, vejo o dinheiro do suor dos pais sendo gasto em açúcar e sal envolvido por massa, plástico, corante, gás e água. E, refletindo momentaneamente, penso que essa classe que consome esses bagulhos deliciosos na cantina pode ser classificada como a “burguesia escolar”, mesmo, embora, sabendo que não são ricos, esbanjam suas belas roupas, seus sorrisos incompletos, e suas caras devastadas pela maquiagem da Avon. De certa forma, esses burgueses são mais “abonitados” e felizes, do que a classe “xepeira-plebeia escolar”, que por sua vez não são tão bonitos e felizes, pois inibem o sorriso e preocupam-se apenas com o cardápio de amanhã, torcendo para que não seja arroz e ovo – espero que não seja arroz e ovo...
Ainda no intervalo, temos a rádio que basicamente é formada por alunos e dirigida por um professor que usa óculos parecidos com os meus, e cujo sobrenome rima com churrasco. Ela não é de agradar a todos – Mas nem Jesus agradou a todos – entretanto, às vezes quebra um galho, outras vezes não.
Após o intervalo, a única coisa que ocupa a cabeça dos alunos, e a minha também, é que horas iremos sair. Deixando a escola, na saída, vejo os empinadores esbanjando o ridículo a custo de tentar impressionar as mais ingênuas, como um macho alfa impondo seu respeito. Um pouco adiante, vejo os comerciantes daquela plantinha que quando tragada deixa os olhos vermelhos e os movimentos “abaianizados”. E as senhoras perueiras, tão focadas em cumprir rapidamente seu horário e tão dispersas a ponto de passar por cima de alguém e pensar que foi lombada.
Já em casa com, o computador a todo vapor, logado ao facebook contemplo marmanjos que se passam por românticos. Mocinhas quadradas exibindo suas curvas ao espelho, rixas e briguinhas inúteis. Corações partidos; partidos sem ao menos saberem o significado de partir... E para finalizar a emocionante rotina, leio, escrevo, alimento-me,  banho-me, durmo.  E no dia seguinte a história se repete, pelo menos, até os próximos anos.

Um blog qualquer...


Mais um blog na internet. Mais um para somar? Talvez... Com tantos blogs sobre literatura por ai, às vezes não vale a pena investir num. Mas em cada blog há sua magia, um canto especial onde seus respectivos autores postam um pedaço do seu ser, expressam-se em cada post.

Não da para agradar a todos, mas é possível agradar-se e sentir-se à vontade em escrever o que quiser, pois a internet é livre, além de - também - um veículo de informação colossal. Portanto, mãos à obra! Esse é o blog Café com Letra.

Bruno Dias.