quinta-feira, 12 de junho de 2014

Maldita orquestra

Mau acordo, e os irritantes fogos atingem-me colérico. Lembro-me do dia que é, doze, estreia do Brasil na copa. "Legal", penso. Procuro meu café, meu livro, meus óculos. O sol ainda tímido. Retomo a leitura de “O Estrangeiro”, e meu pensamento sobre a copa se torna tão indiferente quanto o de Meursault sobre mundo. Talvez, até inclinaria-me a torcer pelo país, com todo aquele sentimento patriótico verde e amarelo, mas não hoje, não quando as necessidades do país são deixadas de lado – como sempre foram - para sediar um evento que não deixará legado algum. A revolta nesse sentido nada adianta, apenas serve para revoltar-me mais, pois o tempo passa, entretanto, os problemas não.

Buzinas, cornetas, apitos, fogos, cornetas, buzinas, fogos, cornetas, apitos. Maldita orquestra. Notícias dividem-se em eufóricos tabloides abordando a copa, e os protestos que começaram logo cedo. Uns torcendo pelo Brasil, eu pelos protestos.

Cinco horas, e começa a palhaçada. Aos gols, a maldita orquestra ressoa agora com um novo instrumento, os gritos.