Mau acordo, e os
irritantes fogos atingem-me colérico. Lembro-me do dia que é, doze, estreia do
Brasil na copa. "Legal", penso. Procuro meu café, meu livro, meus óculos. O sol ainda tímido. Retomo a leitura de “O Estrangeiro”, e meu
pensamento sobre a copa se torna tão indiferente quanto o de Meursault sobre
mundo. Talvez, até inclinaria-me a torcer pelo país, com todo aquele sentimento
patriótico verde e amarelo, mas não hoje, não quando as necessidades do país
são deixadas de lado – como sempre foram - para sediar um evento que não
deixará legado algum. A revolta nesse sentido nada adianta, apenas serve para
revoltar-me mais, pois o tempo passa, entretanto, os problemas não.
Buzinas, cornetas,
apitos, fogos, cornetas, buzinas, fogos, cornetas, apitos. Maldita orquestra.
Notícias dividem-se em eufóricos tabloides abordando a copa, e os protestos que
começaram logo cedo. Uns torcendo pelo Brasil, eu pelos protestos.
Cinco horas, e começa a
palhaçada. Aos gols, a maldita orquestra ressoa agora com um novo instrumento, os gritos.