domingo, 14 de maio de 2017

Tardes

Gosto do sabor das tardes preguiçosas - feito esta. A vida parece fluir lentamente, mas numa lentidão agradável, como que se suprimisse qualquer anseio que perturbe o já frágil equilíbrio.
Nesta tarde de domingo, a mesma energia típica que sempre a perfila está presente. Nesta tarde de domingo venta, venta, como quem carrega para amanhã - segunda - qualquer sinal de pensamento mundano. Nesta tarde de domingo, o sol baixo por entre os algodões doce reflete diversas cores na parede de casa, enobrecendo a vista, enternecendo o coração.
Pois bem. Tudo passa. Tudo passará. Logo, sei que breve a escuridão nasce e com ela as preocupações do dia vindouro - segunda - surgem no espírito, fechando, assim, o ciclo semanal da montanha russa humana, que decidimos, inocentemente, chamar de vida.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Dos Dias

Acordar em dias de labuta é sacrifício, e embora a carne clame por mais dez minutos, o salto da beliche é sempre inevitável. Com o corpo ainda amolecido pelas poucas horas de sono, a olhadela no espelho é uma caixinha de surpresas para um diferente tipo de cabelo bagunçado diário. O banho quente surge como um consolo; o café nos permite caminhar.
A brisa da manhã, ainda que urbana, é fresca. O sol, quando dá as caras, é leve e acolhedor, assim como a energia da aurora humana que paira no ar.
O "busão", feito todos os dias, está lá. As pessoas do busão, - quietas, sonolentas, taciturnas - feito todos os dias, estão lá. As mesmas paisagens, impassíveis, imóveis, mas como que vivas, estão lá. No trem da ida, a mesma coisa; e a sociedade humana segue teu rumo. - mas para onde?
Como que num piscar de olhos, trabalho e rio e aprendo: lugar agradável. Seis horas voam e, já no trem novamente, a faculdade já se faz próxima. Neste percurso, a vida se torna interessante. As pessoas agora mais ou menos despertas expressam no olhar mil sentimentos absolutamente inteligíveis e, ao mesmo tempo, inexprimíveis às nossas bocas ainda limitadas. Os trabalhadores do "shoptrem" - injustiçados? - vagueiam pelos vagões fazendo ecoar a plenos pulmões seus bordões na esperança de unicamente sobreviver: "Pururuca um real", "Ó a água, refresca, hidrata", "Halls um real"... alguns gracejam, a tragédia alia-se à comédia. Seguindo o grito dos bordões surgem as cochichadas e os papos que voam de lábios esparsos e mentes vazias.
Barra Funda. Baldeação.
Cada embarque no metro é como uma tola arena de luta, as pessoas disputam e se espremem enquanto praguejam mutuamente de modo indigno a fim de tão somente economizarem tempo - será que economizam? - e, ainda que o economizem, será que vale a pena se humilhar? - parece-me que sim.
Perto da faculdade, o mundaréu de gente se esbarra aqui e acolá, apressados em por as mãos no diploma, e somente neste, prescindindo e terceirizando, ou nem isto, o conhecimento.
No final dessa batalha, com as ruas vazias, sob a sublime lua e os opacos pontos no céu, vejo-me quase em casa novamente - amém. Chego. O alimento sacia. A cama me abraça. E com a cabeça mergulhada no turbilhão da fadiga e dos pensamentos desconexos, afogo-me em sonhos.

domingo, 7 de maio de 2017

Finais de Domingo

Finais de domingo são tão reflexivos. Ficamos a sós com nós mesmos; pensamos no amanhã; em como a rotina retorná inexoravelmente para saciar-se de nós. Finais de domingo é o momento no qual olhamos nossos próprios vazios e refletimos sobre o que há de errado com a vida, o que há de errado conosco. Finais de domingo é o resumo da energia pesada que paira sobre o dia, enquanto permanecemos deitados fazendo qualquer coisa que nos distraia e nos desvie. Finais de domingo é discernir sobre tudo e não saber de nada. Finais de domingo... é como a vida; é como a morte; é renascer.