sábado, 3 de janeiro de 2015

InSono

Não dou alforria à minha alma, pois sua inquietude mantém-me vivo. Mantém-me atento as coisas vãs do dia que corre, realmente corre, quem sabe, junto ao andar das nuvens. Sem trabalho para pesar a incapacidade, aos poucos, vou voltando a ser quem sou: nada. Mas um nada que observa, um nada que cheira, que ouve, e um nada que sente e que reflete. Sou ainda, além de nada, um vazio, mas vazio que ora a ora se enche: de amor, de comida e de gente... e de Moça – amor.
A cama e a janela voltam a estar lá no quarto de sempre. A preguiça retorna como quem não queria voltar... a música sempre varia, indo das vozes e letras brevemente profundas e infinitamente tocantes dos eternos músicos, talvez poetas, da nossa cultura. Chico à Caetano. Cazuza à Tim e à Renato, também. Pixinguinha à Cássia. Raul à Tom à Elis... O jazz aparece como uma alma de sabor taciturno, a clássica com a distinção de uma ópera do século XIX, o rock com a leveza dum soco de timbres penetrantes, o rap a jorrar o fel da realidade, o reggae a emanar a paz da irrealidade... durmo.

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