sexta-feira, 18 de abril de 2014

Abortar, ou não abortar? Eis a questão 2.0

Ter filhos não é nada fácil. Os genitores hão de arcar com inúmeras responsabilidades. Dentre elas, as mais importantes são: uma boa estrutura familiar, e uma segurança financeira. Consequentemente quando há a gravidez indesejável – principalmente entre os jovens – os futuros pais não sabem como lidar com a situação, e então lhes aparecem primeiramente duas opções: abortar, ou encarar o desafio de criar uma criança.

Para muitos, o aborto é um crime hediondo, inafiançável, um assassinato contra a vida. Pois quebra princípios religiosos e morais de uma sociedade hipócrita. Doutrinas espiritualistas, como o catolicismo, são totalmente contra o método do aborto. Eles defendem o argumento de que a criança nascerá por vontade de Deus. Entretanto, há casos em que durante o pré-natal é descoberto doenças ou deficiências que comprometerão a vida da criança. E assim surgem as discussões controversas.

A anencefalia é uma deficiência rara, na qual a criança nasce não possuindo o cérebro. Ela ainda pode cientificamente viver através de aparelhos, porém não exerceria suas funções corporais básicas e dependeria totalmente da família. Porém, caso a maternidade não esteja preparada para atender adversidades desse porte, – como de fato é no Brasil - a criança morre. Ante essa questão, será que uma família há de carregar o fardo de ter de “criar” uma criança semimorta até a hora dela realmente partir?

Temos ainda o estupro, que pode levar a vítima a engravidar. Essa gravidez sem dúvida não seria bem vinda, pois uma experiência desse tipo leva quase todas suas vítimas a adquirirem traumas e síndromes que dificultariam o viver de suas vidas, e o da criança, que talvez viesse a nascer. Outro entrave é a paternidade dessa criança, que no caso, seria o estuprador, e nenhuma mulher que tenha desejo em ser mãe, desejaria ter como pai de seu filho, um delinquente. Tais acontecimentos dariam peso na opção do aborto, e o que poderia assentar de vez essa questão, são alguns direitos das mulheres, que de acordo com a ONU, são: Direito a vida; Direito a liberdade e à segurança pessoal; Direito a igualdade e a estar livre de todas as formas de discriminação; Direito a liberdade de pensamento; Direito a informação e a educação; Direito à privacidade; Direito à saúde e a proteção; Direito a construir um relacionamento conjugal e a planejar sua família; DIREITO A DECIDIR TER OU NÃO TER FILHOS E QUANDO TÊ-LOS; Direito aos benefícios do progresso científico; Direito à liberdade de reunião e participação política; Direito a não ser submetida a torturas e maltrato. Ou seja, pelo menos cinco itens estão diretamente relacionados com a decisão do aborto. Portanto, são direitos, e no mínimo deveriam ser respeitados, da mesma maneira que “respeitamos” a liberdade de cada individuo, que esta descrita na Declaração de Direitos Humanos de 1948, todavia, parece que a sociedade moralista e a religião estão acima deles.

Tais questões são realmente controversas, pois há um conforto e um tabu imposto por uma sociedade ignorante e totalmente submissa à religião, portanto sempre haverá discussões à cerca disso.

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