sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Por que?

A barba e os cabelos crescem; dia vai e dia vem... mas ainda não encontrei um pingo de lógica para essa coisa toda que é viver. Sinto um vazio que preenche, mas não um sentido que transcenda os limites da alma. Talvez esse sentido esteja no amor, mas que tipo de amor? O amor egoísta de achar-se dono de um e este achar-se dono de ti? Não, esse amor é ilusório e passageiro, é uma droga, uma droga como o crack que só satisfaz momentaneamente fazendo-nos querer mais e mais, levando-nos ao sofrimento... e esse “mais e mais” é impossível – ou não – de se ter. O único amor que proporciona algo válido para a existência talvez seja é o amor puro e altruístico, o “amar sem ver quem ou à quem”. É o amor que cantou John Lennon e Renato Russo, é o amor que Jesus proclamava com tanta fé ao mundo... é um amor quase inalcançável para a maioria de nós: reles seres humanos amarrados às limitações das emoções baixas e vis.

Vivemos a satisfazer desejos da carne, mas por quê? E depois da carne... após a morte... o que há de vir? O que será essa carne, que tanto presamos, após a morte? O que essa carne é se não uma massa que se decomporá em companhia aos vermes de baixo da terra? O que somos além de poeira nessa vastidão negra e maravilhosa que é o universo? Já que basicamente não somos nada, por que estamos aqui? E por que temos essa capacidade toda de questionar nossa existência? E o que de útil isto é, ou será, já que não somos nada? NÃO SEI. Isso deveria intrigar a todos... mas como não temos tempo – ou vontade – de fazê-lo, ficamos com o mais fácil: Deus criou tudo com uma varinha de condão, e se formos bonzinhos e não questionarmo-lo  iremos para o céu cavalgar com unicórnios sobre o arco-íris.... mas se você blasfemar irá queimar pela eternidade entediante no fogo do inferno... Então quer dizer que Deus nos criou para servimos de experiência ou de um brinquedo para testar nossa bondade? Mas se Deus sabe de tudo, e sabe quem vai ser bom ou ruim, por que ele perde tempo com essa brincadeira? Será que ele é um tipo estranho de maníaco?  Mas por que desse jeito? Por que existem seres materialmente pobres e seres materialmente ricos? Por que toda essa desigualdade perante aos seus olhos misericordiosos de Grande Irmão que tudo vê? Por que há quem nasça com a vida feita e há quem nasça no lodo da espécie humana? Que porra de Deus justo é esse? Porém, tudo isso pode ser verdade e eu talvez esteja louco. Deus realmente criou tudo e a todos; Deus realmente realiza nossos desejos quando merecemos... mas já que é assim, somos interesseiros, pois fazemos o “bem” por obrigação à espera de um milagre por nossa bondade praticada, e não pela felicidade de ver uma pessoa bem... Meritocracia mesquinha, essa... E se tudo der errado, se coisas ruins acontecerem com você, à nós: “É obra do capeta”, “É o demônio”... Agarramo-nos a coisas talvez inexistentes quando a vida aperta...
Somos pobres, fracos, frágeis, medrosos e vulneráveis... escondidos atrás da cortina de aparências, de status... escondidos atrás de uma fé... escondido atrás de carnes e ossos... escondidos atrás de ignorância. No fundo, bem no fundo, não somos nada.

Um comentário:

  1. Teria o humano por essência um sentido em sua vida? Ou a essência herda o humano para a continuação de uma história que se iniciou a tanto tempo que a memória não alcança e por isso se vê como objeto de especulação? Os demais animais, imagino, possuem um sentido para a vida, agem por instinto, isto é, por "um sistema de movimentos determinados, sempre idênticos; uma vez provocados pela sensação, se encadeiam automaticamente até que cheguem a seu termo natural, tudo sem que a reflexão possa intervir". (DURKHEIM, 1893, p.50). Assim, inverto a prerrogativa de achar que a vida é um complexo de significados arranjados à determinado fim. Me parece mais compreensível que a vida humana seja vazia de sentidos e como os demais animais, caracterizada pelos instintos. A geração mais velha vai incutindo o que há de social em seu "herdeiro". Se me couber aqui, recomendo a leitura da Apologia da Religião ou Pensamentos (é a mesma obra) - do Blaise Pascal. Não sou cristão, nem tampouco li a obra inteira, mas tenho certeza que o ajudará a compreender ou o provocará a isto. Ótimo texto... ABRAÇOS!!!

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