Acordo antes do despertar do despertador, mas volto ao sonho. O despertador canta, mas volto ao sono, de novo - só mais um pouquinho... levanto. Roupa, café, rua. Aproximando-me da escola percebo uma certa multidão a um certo horário meio tarde para não terem ainda entrado. A escola havia ficado sem luz durante o turno anterior - dá-lhe pátria educadora - porém, ainda assim, houve 'aula'.
Num certo breu, disfarçado pela claridade que vinha das janelas, a primeira aula - de português, Carrasco - dava-se sob altos burburinhos arremessados do fundo da sala. Os que queriam aprender, uns quatro, e eu, foram à extrema frente da sala, quase colados à lousa.
Ao iniciar das explicações, a algazarra continuava obscenamente desconcertando o professor, que, além de continuamente desmotivado por todo um contexto desfavorável, utilizava suas últimas reservas de sanidade e integridade com as esperanças em algo que dê frutos - isso é amor.
Falta-nos empatia - pensei.
Empatia nos falta aos professores, que dedicam o trabalho de uma vida aos pupilos de uma sociedade destruída de moralidade e harmonia. Empatia nos falta aos diferentes e exclusos, que, não se encaixando numa cartilha obsoleta e ridícula, opacam sua luz e limitam suas potencialidades. Empatia nos falta às minorias, que sob véu do fel sobrevivem aos pisões do sistema 'democrático'... empatia nos falta à vida e, até, à nós mesmos.
As aulas de português se vão - bem aproveitadas. As outras também se vão, contudo, à essa altura do campeonato, apenas a cumprirem a sabotagem do ensino público do pobre - na pobre São Paulo.
Casa, almoço, ponto. Meio-dia.
O sol no volume alto - a música também. No busão, a moleza atinge minha carcaça em meio a outras carcaças escaldantes e silenciosas. Trabalho: o ar-condicionado me abraça. Pego no teclado, e por aqui deixo o ponto final do que ainda não acabou.
Num certo breu, disfarçado pela claridade que vinha das janelas, a primeira aula - de português, Carrasco - dava-se sob altos burburinhos arremessados do fundo da sala. Os que queriam aprender, uns quatro, e eu, foram à extrema frente da sala, quase colados à lousa.
Ao iniciar das explicações, a algazarra continuava obscenamente desconcertando o professor, que, além de continuamente desmotivado por todo um contexto desfavorável, utilizava suas últimas reservas de sanidade e integridade com as esperanças em algo que dê frutos - isso é amor.
Falta-nos empatia - pensei.
Empatia nos falta aos professores, que dedicam o trabalho de uma vida aos pupilos de uma sociedade destruída de moralidade e harmonia. Empatia nos falta aos diferentes e exclusos, que, não se encaixando numa cartilha obsoleta e ridícula, opacam sua luz e limitam suas potencialidades. Empatia nos falta às minorias, que sob véu do fel sobrevivem aos pisões do sistema 'democrático'... empatia nos falta à vida e, até, à nós mesmos.
As aulas de português se vão - bem aproveitadas. As outras também se vão, contudo, à essa altura do campeonato, apenas a cumprirem a sabotagem do ensino público do pobre - na pobre São Paulo.
Casa, almoço, ponto. Meio-dia.
O sol no volume alto - a música também. No busão, a moleza atinge minha carcaça em meio a outras carcaças escaldantes e silenciosas. Trabalho: o ar-condicionado me abraça. Pego no teclado, e por aqui deixo o ponto final do que ainda não acabou.

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