sexta-feira, 22 de abril de 2016

Da Madrugada

A brisa que a noite sopra é fria e suave – feito teus lábios, a mim, irreais. Pela janela observo a cidade enxaguada pelas pequenas luzes das ruas. As escassas estrelas que reluzem opacamente demonstram nosso vil sentimento de indiferença à beleza da natureza, escancarando o avançado desespero do progresso: onde poluímos o ar, poluímos a paisagem, destruímos a cor e manchamos a nossa alma – crime hediondo...
Ao longe, um funk delira em loucos timbres autômatos, além de latidos, esdrúxulos gritos humanos e o motor dos carros, consolidando o usual contraste ao sentimento de acolhimento comum às calmarias das madrugadas...
A Lua está cheia, rainha, exercendo seu protagonismo no firmamento solitário, a jorrar teus raios e a abraçar seus ordinários espectadores, alimentando seus sentimentos e lembrando-os que a solidão é uma ilusão, pois ela está lá fora e aqui dentro, conosco: a lua lá, a saudade aqui.

Nenhum comentário:

Postar um comentário