quarta-feira, 30 de julho de 2014

2027 (Parte 3)

(...)
O cigarro acabou, mas eu ainda possuía dois maços dele, isso me alegrava em meio a tanta monotonia. Lembrei-me do vinho, o bebi sedento. Tornei a gravar:

“Pós a guerra, não havia mais governo. A sociedade que sobrou se organizou como deu. Remanescentes criaram pequenas colônias – faço parte duma. Nos alimentamos de alguns animais urbanos, e principalmente de alimentos ainda consumíveis encontrados em locais abandonados – orgulho-me do meu vinho. Tudo isso é limitado, mas ninguém importa-se, vivemos um dia de cada vez, e quando tivermos de morrer, morreremos. Não há mais diferença de morrer hoje ou daqui há anos...”

Pausei novamente, o sol estava se pondo, e contemplando aquele espetáculo, me dei conta do tempo que havia passado, eu não sabia ao certo que horas eram, mas devia ser entre cinco e meia e cinco e quarenta. Mas isso não tinha mais importância.
Escureceu. Levantei-me custosamente para pegar uma vela que estava em cima da geladeira, esgueirando-me para não esbarrar nos caixotes. Acendi-a com o resto de isqueiro que eu ainda tinha. Sentei de volta na poltrona, e senti o cansaço pesando em meu corpo. Bebi mais um gole do vinho que repousava em cima da escrivaninha há umas horas e adormeci.
(...)

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