Sei
lá... Sei lá... Sei lá... esse calor que fode alma adentro me faz pensar apenas
nesse calor que fode alma adentro. O corpo sua, a mão seca que seca a testa
molhada feito para-brisa, a sede queima, a água desce seca, seca e rasga. E a
chuva nunca vem. São Paulo, a terra da garoa... garoa de sol, garoa de luz
cortante...
Saudades
da chuva; aquela chuva que refrescava e acalmava tudo após a tempestade de
calor que hoje castiga veementemente as más bocas; más bocas que antes tanto
zombava do nordeste e sua sequidão, mas que agora sofrem com o que antes era-se
apenas alheio aos zombadores das más bocas... até parece um castigo de São
Pedro.
O
ventilador sopra quente. As paredes são uma fornalha. As moscas me atacam
obscenamente, brincando de pousar sem escrúpulos e tapeando minha mão que as
persegue inutilmente...
Saudades
de quando a água executava a sede brutalmente... agora apenas dá a ela uns
tapas camaradas...
Esse
mormaço abafado parece uma prisão sufocante... TUDO É QUENTE... sei lá... só
espero que São Pedro pare de putaria e volte com a normalidade que reinava...
cansei de experimentar o sabor do inferno.

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