É...
O que eu temia aconteceu... Serviram arroz e ovo na “xepa”. Realmente uma triste
notícia a nublar a gélida segunda de outubro. Semblantes desolados, tristes, digerindo
com esforço a gororoba temida pelos plebeus. As “tia” com sorrisos sombrios
acompanhavam de camarote a tortura que ocorria, ante aos estômagos solitários,
que além de estarem presos na maldita prisão da fome, eram judiados cruelmente.
Mas
nem tudo são trevas, num outro canto do intervalo, não tão distante, os
burgueses exibiam com glória, seus malditos lanches deliciosos, que os saciavam
com louvor. Lanches das mais diversas porcarias eram tragados. Refrigerante e
enroladinho, refrigerante e esfirra, refrigerante e cachorro-quente.
Intermináveis combinações borravam suas bocas sorridentes. Seus olhos delineados
cintilavam à medida que tragavam aquele bagulho. Mas enfim, a felicidade e a
tristeza, iam passando conforme o sinal chegava.
Três
últimas aulas, e duas horas e meia, transformam-se em eternidade. Enquanto
cabeças inquietas boiavam no mar de incertezas, enquanto bolinhas de papéis não
identificadas eram avistadas, enquanto as maquiadoras enfeitavam-se com tanto
prazer quanto enfeitar uma árvore de natal, o tempo passava. Até que bate o
sinal, e o suspiro de alívio, formava um coro agradável na sala.
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