sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Sexta dos inferno

Dizem que sexta-feira é o melhor dia da semana, pois antecede o sábado, e depois vem o domingo. Santos dias de descanso. Portanto é motivo de alegria, planos para noite, postagens sem graça no facebook, entre outras bobagens. Mas acho tal euforia errônea, pois minha analise não enquadra-se nas opiniões dos eufóricos.
Primeiro passo da minha sexta é ir à escola... Mesmice mórbida, cuja única alegria é saber que se está na escola. Carinhas ansiosas, pois querem logo o fim das aulas. Imploram pelo fim delas, como se estivessem numa tortura eterna. Carinhas também, semi-risonhas, extasiadas com o dia pós-escola, pois ao chegarem em casa, estarão despreocupadas com o dia seguinte. Vida boa... Queria eu ter uma sexta assim. Mas se assim fosse minhas sextas, eu não teria a oportunidade única de conviver com os mais diversos tipos de pessoas, oportunidade também de expandir minha sociologia particular. Observando, vou conhecendo-as apenas através do olhar ao semblante; semblantes muitas vezes abatidos pela “santa” sexta-feira de muita luta e trabalho.
Ao sair da escola, apronto-me para ir ao curso. No ponto de ônibus, esperando pelo transportador de carne, disfarçado de transporte público. Aproveitando a espera, observo as pessoas que rodeiam-me. Moças prontas para o trabalho, com seus cabelos muito bem presos, rostos maquiados sutilmente, e provavelmente preocupados com o horário, pois, caso atrasem-se, terão problemas. Homens, alguns trajando roupas sociais, outros mais despojados. Compromissos indefinidos a mim, mas provavelmente sérios. Ao tomar o ônibus, observo pessoas de todos os tipos ocuparem os assentos e os espaços de locomoção, todos muito quietos, e de caras fechadas – E por que teriam motivos para rir ou falar?
Contando o tempo de permanência no curso e o tempo das viagens, permaneço cerca de 4 horas no centro de Osasco. Tempo suficiente para observar as pessoas, e chegar a uma conclusão íntima delas. No ônibus novamente, na viagem de volta, pessoas cansadas, transpirando a luta do dia, jogadas nas cadeiras, e tornando a atmosfera do transporte pesada, como se cada pensamento delas exalasse um ar denso, que atrapalha a respiração suave, inibindo a liberdade do pulmão. Trabalhadores, donas de casa, estudantes, amigos, solitários, sonolentos, mães e crianças, vão compondo o time. Calor, aperto, e à medida que vão passando os pontos, mais e mais pessoas vão subindo, excedendo vorazmente a lotação, a ponto de questionar-me se a lei de Isaac Newton está correta. Será mesmo que dois corpos não ocupam o mesmo espaço? Ao fim da viagem, aproximando-me de casa, mais um desafio, driblar todo mundo para alcançar a porta de saída.

Realmente a sexta-feira, não é tão boa assim. Porém, tudo depende do ponto de vista, e minha visão sobre a sexta é insignificante, pois cada um vive de acordo as circunstancias que está. Seja na batalha, ou na pruma de permanecer inerte a nada.

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