Dizem
que sexta-feira é o melhor dia da semana, pois antecede o sábado, e depois vem
o domingo. Santos dias de descanso. Portanto é motivo de alegria, planos para
noite, postagens sem graça no facebook, entre outras bobagens. Mas acho tal
euforia errônea, pois minha analise não enquadra-se nas opiniões dos eufóricos.
Primeiro
passo da minha sexta é ir à escola... Mesmice mórbida, cuja única alegria é
saber que se está na escola. Carinhas ansiosas, pois querem logo o fim das
aulas. Imploram pelo fim delas, como se estivessem numa tortura eterna. Carinhas
também, semi-risonhas, extasiadas com o dia pós-escola, pois ao chegarem em
casa, estarão despreocupadas com o dia seguinte. Vida boa... Queria eu ter uma
sexta assim. Mas se assim fosse minhas sextas, eu não teria a oportunidade única
de conviver com os mais diversos tipos de pessoas, oportunidade também de expandir
minha sociologia particular. Observando, vou conhecendo-as apenas através do olhar
ao semblante; semblantes muitas vezes abatidos pela “santa” sexta-feira de
muita luta e trabalho.
Ao
sair da escola, apronto-me para ir ao curso. No ponto de ônibus, esperando pelo
transportador de carne, disfarçado de transporte público. Aproveitando a
espera, observo as pessoas que rodeiam-me. Moças prontas para o trabalho, com
seus cabelos muito bem presos, rostos maquiados sutilmente, e provavelmente
preocupados com o horário, pois, caso atrasem-se, terão problemas. Homens, alguns
trajando roupas sociais, outros mais despojados. Compromissos indefinidos a
mim, mas provavelmente sérios. Ao tomar o ônibus, observo pessoas
de todos os tipos ocuparem os assentos e os espaços de locomoção, todos muito
quietos, e de caras fechadas – E por que teriam motivos para rir ou falar?
Contando
o tempo de permanência no curso e o tempo das viagens, permaneço cerca de 4
horas no centro de Osasco. Tempo suficiente para observar as pessoas, e chegar
a uma conclusão íntima delas. No ônibus novamente, na viagem de volta, pessoas
cansadas, transpirando a luta do dia, jogadas nas cadeiras, e tornando a
atmosfera do transporte pesada, como se cada pensamento delas exalasse um ar denso,
que atrapalha a respiração suave, inibindo a liberdade do pulmão. Trabalhadores,
donas de casa, estudantes, amigos, solitários, sonolentos, mães e crianças, vão
compondo o time. Calor, aperto, e à medida que vão passando os pontos, mais e
mais pessoas vão subindo, excedendo vorazmente a lotação, a ponto de questionar-me
se a lei de Isaac Newton está correta. Será mesmo que dois corpos não ocupam o
mesmo espaço? Ao fim da viagem, aproximando-me de casa, mais um desafio,
driblar todo mundo para alcançar a porta de saída.
Realmente
a sexta-feira, não é tão boa assim. Porém, tudo depende do ponto de vista, e minha
visão sobre a sexta é insignificante, pois cada um vive de acordo as
circunstancias que está. Seja na batalha, ou na pruma de permanecer inerte a
nada.
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