Voltei a sentar na
poltrona, me pus a pensar, pensar e pensar. Comecei a escrever. Eu tinha o
estranho hábito de escrever minhas matérias primeiramente no papel, e depois
passá-las ao computador. Gostava de ver meu garrancho, as linhas tortas, os
traços estranhos e tatear o lápis. Sentia-me como um artista. Um gole de
uísque. Tentei algo:
“Terça-feira, 25 de agosto de 2015...”.
Comecei errado –
cacete. Amassei a folha, tentei de novo:
“As
forças armadas americanas chegaram à Berlim na manhã da última segunda-feira,
24, para juntarem-se às tropas da União Europeia. Está previsto...”.
Mil coisas passavam em
minha cabeça, não conseguia me concentrar totalmente no que estava escrevendo. Recomecei:
“As
forças armadas americanas chegaram à Berlim na manhã da última segunda-feira,
24, para juntarem-se às tropas da União Europeia. Está previsto que as forças
armadas brasileiras cheguem nos próximos dias para reforçarem e intensificarem
os ataques no ponto mais acessível a Rússia, a confusa Crimeia...”
Dessa vez fluiu,
escrevi o bastante para talvez agradar o querido editor – um homenzinho
gorducho de trejeitos e tiques estranhos, difícil de agradar. Pude explicar
processos políticos e econômicos delicados, como o fechamento do mercado
externo entre os países de cada lado da guerra e seus déficits. A possível
imigração livre de povos aliados para o Brasil, alguns pontos positivos e a
certeza dos problemas que isso causaria. As revoltas sociais que por ventura
viessem a ocorrer. As medidas que o governo recém-eleito talvez terá de tomar
ante a situação, e as possíveis consequências de todo esse processo para o
futuro do Brasil. Minha vaidade considerou tudo o que foi escrito, bem
sintetizado e explicado. Comemorei com mais um gole de uísque.
Mandei o artigo por
e-mail, não havia mais nada a fazer. Fitei a janela, observei a chuva. Quase adormeci...
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