O amor é uma bela
coisa. Essa coisa do amor está em tudo. Está na manhã cinza, está no banho
tomado, na roupa passada, no cabelo molhado, no café esquentado, nos dentes
escovados, no nariz soado, na barba não feita, no espelho encarado, nos passos
apressados, no abraço da moça, e em teus beijos molhados.
Um olhar à aula na sala,
e lá o amor endiabrado. Nos risos sonhados, nos gritos inchados, nas cadeiras
rachadas, nas mesas riscadas, no chão turvado – de tão pouco lavado. Nas folhas
vazias, tão brancas de nada. O amor na matemática esculachada, nas aulas
perdidas jogadas ao lixo, e nos alunos falantes desinteressados a piorar. O
amor, no português Carrasco, e este apaixonado com sua quarta a cultivar. A
quarta da testa alva pelada e o outro do topete chapado que de tão belo ao seu lado,
sorri alegrado com a quarta a conquistar.
De fato o amor é
gozado, em tudo ele vive – seja preso, seja livre – nos mais simples fatos do
cotidiano corriqueiro – jogado –, vivido e passado. Amor no passo arrastado da
preguiça apressada, do abrir o negro portão, e ao sentar no colchão o lápis se põem
a isso talhar. E com a mente a bicas no colo da não razão, o vão se esvai, e tudo
que não rima, cai.
Nenhum comentário:
Postar um comentário